MD. Olindo M. Paludo | 12/07/2011
Os dois pedidos


O menino não ainda tinha dez anos. Seus cabelos claros cobriam-lhe a testa displicentemente. Seus olhos tinham uma expressão de viva curiosidade. Aproximou-se da mãe e, sem cerimônia, questionou-a:
- “Mamãe, o que você quer que eu seja quando crescer?”. A mãe deixou os afazeres de lado e olhou demoradamente o pequeno.
- “Por que a pergunta, meu bem?” - devolveu o questionamento ao Garoto.
- “Ah, mamãe! disse suspirando, hoje na escola, meu amigo me disse que ele vai ser médico porque seu avô é médico e seu pai também. Então, fiquei pensando nisso. O que você e papai querem que eu seja?”. O rostinho do menino tinha um traço de apreensão.
- “Meu querido, disse ela abraçando o garoto, eu tenho apenas dois pedidos para lhe fazer. Quero que você seja correto e que seja feliz.” Beijou suavemente a testa do filho que, insatisfeito com a resposta, afastou-se para fitar a mãe diretamente.
- “Não, mamãe! Qual profissão você quer que eu tenha quando crescer?”. Voltou à tona achando que não havia sido compreendido.
- “A escolha da sua profissão, meu filho, cabe apenas a você. Isso não me compete, tampouco me causa maiores preocupações. O que eu quero de você é outra coisa. Ou melhor, como eu lhe disse, tenho apenas dois pedidos a lhe fazer. Vou repeti-los e explicá-los: Quero que você seja correto, isso significa que espero que você escolha o caminho do bem sempre, mesmo que ele seja mais longo ou mais difícil, que pense nas conseqüências dos seus atos, para você e também para os outros, que não tema a verdade, nem a justiça, ao contrário, que as busque sempre com serenidade e persistência. O segundo pedido, que é tão importante quando o primeiro, é que você seja feliz, isso quer dizer que espero que, apesar das dificuldades da vida, você tenha sempre confiança em Deus, que acredite na justiça divina e que jamais se entregue ao sofrimento, que você tenha o coração cheio de amor e de coragem para seguir em frente, sempre”. A mãe acariciou o menino, afagando-lhe os cabelos com doçura e concluiu:
- “Para mim, meu filho, o que interessa é como você vai ser e não o titulo que vai carregar.”

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Por vezes, sentimo-nos tentados a buscar realizar nossos sonhos frustrados por meio de nossos filhos. Induzimos nossos jovens a concretizar ideais de vida que não são os deles. Fazemos que eles busquem objetivos que, na verdade, eram nossos. Por mais promissoras que sejam algumas carreiras e profissões, não cabe a nós, pais, escolher os caminhos que nossos filhos trilharão. Nosso dever é prepará-los para que sejam homens e mulheres de bem.
Altos salários e títulos de honra nada são se a alma permanece atormentada pela tarefa não cumprida e pelo compromisso abandonado. Se queremos que eles sejam realmente felizes, cabe-nos orientá-los para que busquem a senda da retidão moral. Somente assim nossos amores serão capazes de alcançar a felicidade possível neste mundo.

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Com esta crônica minha homenagem sincera e de coração ao brilhante colega e extraordinário ser humano; Dr. Wilson Schneider Ardenghi, homem de caráter forte, porém de uma sinceridade ímpar. Me acolheu no momento mais difícil de minha carreira, o inicio. Foi um pai para mim, me recebeu com carinho e me proporcionou as primeiras opotunidades no oficio da medicina; Dr. Wilson S. Ardenghi; minha eterna gratidão.


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