MD. Olindo M. Paludo | 12/07/2011
Sob a sombra de um carvalho


“Não há como substituir um velho companheiro. Nada vale o tesouro de tantas recordações comuns, de tantos momentos difíceis vividos juntos, tantas desavenças e reconciliações; tantas emoções compartilhadas. Não se reconstroem essas amizades. É inútil plantar um carvalho na esperança de poder, em breve , se abrigar sob a sua sombra.”
O belo pensamento é de Saint-Exupéry, em seu texto “terra dos homens”, e nos remete a uma temática deveras importante: a construção de nossas relação com os outros. Convidamos você, neste momento, a lembrar de um grande companheiro de sua vida: um velho companheiro, um maigo, um pai, uma mãe, um irmão, irmã, etc. Passe uma revista rápida pelos anos de convívio e tente perceber como esta relação se formou e se consolidou ao longo do tempo. Lembre-se tantas emoções compartilhadas, dos momentos felizes e dos momentos tristes. Certamente a cumplicidade, a amizade, o devotamento, não surgiram prontos, acabados. Certamente a confiança e o profundo apreço não nasceram repentinamente. Muito trabalho foi empregado ai, entre esses dois mundos de tantas afinidades, mas também de tantas diferenças. O carvalho plantado precisou de rega constante, esperançosa. Precisou de tempo, de sol e de chuva. Ambos hoje se abrigam sob sua sombra, depois de anos e mais anos de investimento mútuo. Assim, parece simples de se entender a afirmação de Exupéry, de que é inútil plantar um carvalho na esperança de, logo em seguida, imediatamente após o plantio, já poder desfrutar de sua sombra. A árvore leva tempo para se tornar frondosa. Porém, o tempo apenas não é suficiente. Que adiantam cem anos de solo infértil, de estiagem, de falta de sol? Não, um carvalho não cresce sem o cuidado da natureza, assim como uma relação de companheirismo não sobrevive se não for cuidada de perto, todos os dias.
Por isso, se desejamos poder deitar e curtir a sombra de um belo carvalho, lembremos de tratá-lo todos os dias com toda nossa dedicação. O velho e bom companheiro de amanhã poderá ser o irmão das lutas de hoje, aquele com que temos dificuldades, mas que temos tolerado, compreendido. O carvalho moço ainda tem pouca e vacilante sombra. Ora está aqui, ora está acolá, sacudido pelos ventos da tempestade. O carvalho moço ainda não se vê árvore, não se crê capaz de quebrar a luz do sol gritante. Mas se bem cuidado vai se fortalecendo, agigantando a copa, e se tornando frondosa árvore. O velho e bom companheiro de amanhã é o amigo que nos estende a mão hoje, e não permanece muito tempo na espera de outra que o ampare.

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“Velho companheiro, de mil aventuras;
Quantas experiências, vivemos os dois.
....Coisas que me ensinastes, para nada serviam...
Mas bem me dizias servirão depois.
Sempre me aconselhastes: na justa medida,
Vai gozando a vida... Sem nunca esqueceres,
De praticar o bem.
Porque a gente só goza, na justa medida,
Se ajudarmos outros, a gozar também.

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Com esta crônica homenageio uma das pessoas mais bondosas e solidárias que conheci na vida: ELÓI ZANDONÁ (Barra Funda-RS), o verdadeiro; ”Missionário da Paz”, esteja no Brasil ou no exterior, sempre lembra dos amigos, por onde passa deixa a centelha da PAZ. Tenho a honra de ser seu amigo pessoal e por este motivo, sou uma criatura grata ao PAI CELESTIAL.


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