MD. Olindo M. Paludo | 09/12/2010
Onde anda a sensibilidade ?


O proprietário da loja pregou uma placa acima da porta do estabelecimento com os seguintes dizeres: Vendem-se filhotes. Placas como essas costumam atrair a atenção de crianças. E foi assim que apareceu um garotinho interessado no assunto e adentrou á loja, decidido.
-Por quanto o senhor vai vender os filhotes? perguntou entusiasmado.
O comerciante respondeu prontamente que o preço seria entre 30 e 50 reais. O menino remexeu os bolsos e tirou alguns trocados. Eu tenho dois reais e trinta e sete centavos. Posso vê-los? O dono da loja sorriu, assobiou e, de dentro do canil surgiu lady correndo pelos corredores, seguida por 5 pequeninas bolas de pelo. Um dos filhotes, porém, estava atrasado, ficara muito atrás dos outros, que corriam e saltitavam alegres. O que há de errado com o cachorrinho? Perguntou o menino. O comerciante explicou que o veterinário tinha examinado o filhotinho e descoberto que ele não tinha um encaixe no quadril. Por esse motivo, iria mancar para sempre. Seria sempre coxo. Os olhos do garotinho brilharam...Este é o cachorrinho que eu quero comprar, observou sorrindo. Não, você não quer comprar este filhote...Se você realmente o quer, eu o darei a você, assegurou o fornecedor. O menino ficou aborrecido e, olhando nos olhos do homem, disse com firmeza: Eu não quero que você me dê! Aquele cachorrinho vale tanto quanto os demais. Eu pagarei o preço certo. Vou dar estas moedas agora, e 50 centavos por mês, até que tenha pago tudo. O dono da loja retrucou: Você não pode comprar este cachorrinho! Ele nunca poderá correr, pular e brincar com você, como os outros filhotes. Diante disso, o menino se abaixou e levantou a calça para mostrar a perna esquerda paralisada e torcida, sustentada por um anel de metal. Olhou para o comerciante e respondeu docemente:
- Bem, eu mesmo não corro tão bem...E além disso, o filhotinho vai precisar de alguém que o compreenda.
Ao ler esta história, ficamos a nos questionar: Aonde foi parar a sensibilidade das nossas crianças? Será que elas foram contaminadas pela insensibilidade dos adultos? Ou será que estão se tornando criaturas individualistas, por se acostumarem a viver meio sozinhas? Observando um garoto a conduzir seu cãozinho a tapas e pontapés, pensamos que talvez o motivo esteja na forma de educação que damos aos filhos. Deixando-os a sós diante dos videogames e cd-roms com poder absoluto sobre os personagens animados, que obedecem a sua vontade,bastando um simples toque nos controles. Não lhes informando que esses personagens são uma fantasia distante da nossa realidade. Realidade que não submete ninguém aos nossos caprichos e manhas. Realidade que nos pede carinho e compreensão para com as limitações dos semelhantes.

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Com esta crônica, presto minha simples homenagem ao meu; "Caro e Estimado Amigo de Verdade", de longos anos; Prof. Dr.: Osvandré Lech, Cirurgião da área ortopédica, com ênfase em "mão", "ombro", "cotovelo"; Mestre na PUC-POA e UPF-Passo Fundo; Sócio Proprietário-IOT-Passo Fundo-; Presidiu várias Sociedades de sua área de atuação profissional a nível de Estado e País; Presidente da Sociedade Sul-Americana de Ombro e Cotovelo; Reconhecido Internacionalmente por trabalhos "pioneiros" em sua especialidade; Membro da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores...enfim...
Neste ano ao receber mais um exemplar de seus livros, me fez uma dedicatória do próprio punho...simplificou em 4 palavras...algo ímpar para um profissional, receber tamanho elogio, vindo de uma pessoa de enorme grandeza intelectual...
Obrigado,meu caro;Dr.Osvandré ! Um dia, uma paciente o chamou de; "Mágico de DEUS", na hora não caiu a ficha, depois percebi! Suas mãos fazem verdadeiras mágicas em uma mesa de cirurgia; A paciente diria; "Milagres"...


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