BLOG DO TOB | 12/12/2019
BR 158_PRIVATIZAR?



Se é um assunto que entendo é asfalto, pois foram 48 anos trabalhando em rodovias, foram 47 anos no DAER e 1 ano no DNIT. É pena que não consegui passar em sala de aula estes meus conhecimentos, é uma das minhas frustrações, mas enfim, a vida é assim mesmo, algo sempre fica para trás. Mas voltando ao assunto do Título: BR-158, Privatizar? Fiz uma viagem à Cruz Alta, e deu para sentir a buraqueira que possui este trecho entra Palmeira das Missões e Cruz Alta, e deve ser assim seguindo para frente em direção a Júlio de Castilho. No último ano de atividades como engenheiro em rodovias, a empresa que tinha em mãos o contrato dos trechos, simplesmente não conseguia realizar seu trabalho adequadamente, faltavam recursos financeiros para executar os trabalhos mais pesados, ou sejam, fresar os asfaltos mais antigos que se encontravam trincados e após o recapeamento. Isto sem falar nos pontos onde eram necessários remoção da base, pois havia muitos locais que precisavam de remoções das camadas de brita, camadas de base. Em São Borja foram realizados uns trinta quilômetros destas remoções. Mas tinha muitos quilômetros de rodovias com as buraqueiras como ainda está hoje, da mesma forma, cheia de panelas, trincas ou couro de jacaré, nome que se dá as camadas trincadas sucessivamente. Para se ter uma ideia desse contrato, eram mais de mil quilômetros, nos seguintes trechos. Na BR-285 entre Arvorezinha e São Borja, cerca de 500 km; entre Iraí e Júlio de Castilhos, na BR-158, cerca de 260 km; Entre Iraí e Passo Carazinho, cerca 200 km, na BR-386, além de outros trechos menores da nossa região, passavam esse contrato de mil quilômetros, sendo o valor acima de R$ 350 milhões de reais. O valor era interessante, eram números já que o bem-bom como se diz na gíria popular não vinham, era só papel. Nesse caso a empresa executava somente quantidades que o valor dos serviços executados não ultrapassasse, pois poderiam não receber. A conserva dos trechos, como cortes da gramas, tapa-buracos, limpezas de arbustos ao longo da estrada eram realizados em uma cota que não passavam de trezentos mil reais por mês, era uma cota fixa. A empresa comentava através dos seus engenheiros que na verdade as suas despesas passavam de 600 mil reais, ou seja, estavam na maioria dos meses no negativo. O assunto é longo, e bem complicado na forma que se apresenta hoje, ou seja, há um valor no contrato mas o dinheiro não vem, e em outros casos quando executavam as camadas de asfaltos, o valor já estava defasado, pois o produto principal para composição do concreto asfáltico o CAP, cimento asfáltico, o produto preto para os leigos, a cada seis meses ou menos tinham aumento no seu valor, já que acompanha a desvalorização do dólar. Para terminar, eu pessoalmente só vejo uma solução: Privatizar, privatizar logo, sem muitas conversas, sem muitas burocracias, pois está havendo mortes, prejuízos aos usuários que se deslocam de Rio Grande para Santa Catarina levando soja, levando riquezas de um lado para outro.



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