Nenhuma geração envelheceu tão rápido quanto a dos adultos dos a | 11/07/2018
Tudo que envolve a indústria cultural e o comportamento dos jovens se transformou naqueles anos em que os Beatles se tornaram uma mania mundial


Beatlemaníacos são insaciáveis, mais ou menos como os fãs de futebol. Nunca enjoam, nunca acham que já viram ou ouviram tudo, nunca deixam de se surpreender e de se emocionar, por menor que seja a novidade em campo –uma gravação remasterizada, um documentário, um show com velhos sucessos (até mesmo de uma honesta banda cover, porque, às vezes, é a única coisa que a casa oferece...).

No curto intervalo entre 1962 e 1969, não foram apenas os garotos de Liverpool que mudaram e perderam o ar de ingenuidade.
Pegue o último dia 21 de junho, por exemplo. Enquanto boa parte do planeta estava na frente da televisão se emocionando com, sei lá, Argentina x Croácia, milhões de outras pessoas (muitas delas acumulando as duas paixões, Beatles e futebol) estavam deixando de lado qualquer outra distração disponível para assistir a um vídeo de 23 minutos em que Paul McCartney aparece cantando e dando um passeio por Liverpool.

Muita gente até agora não entendeu o que, naqueles 23 minutos, foi capaz de comover, às lágrimas, tantas pessoas de gerações e origens diferentes espalhadas ao redor do planeta. Nas duas últimas semanas, esse vídeo da série Carpool Karaoke teve mais 26 milhões de visualizações no YouTube. É como se, nessa Copa da Música, Pelé nunca tivesse sido substituído por um craque mais jovem e continuasse capaz de reproduzir suas jogadas mais geniais no lugar e na hora em que quisesse – para renovado delírio da torcida.

No último domingo, entrou para o catálogo de atrações da Netflix o documentário The Beatles: Eight Days a Week, lançado em 2016 e dirigido por Ron Howard. O diretor inventou a melhor desculpa do mundo – um filme – para passar muitas horas por dia ouvindo as músicas da banda preferida e ainda entrevistar Paul McCartney e Ringo Starr. Além das entrevistas, o documentário destaca, com muitas imagens até então inéditas, os anos em que John, Paul, George e Ringo viajaram o mundo embalados pela beatlemania.

São apenas sete anos, entre a primeira gravação, em 1962, e o show surpresa no telhado da sede da gravadora Apple, no centro de Londres, em 1969 – última aparição pública do grupo. Nesse curto intervalo de tempo, não foram apenas os garotos de Liverpool que mudaram e perderam o ar de ingenuidade das primeiras apresentações. Tudo o que envolve a indústria cultural e o comportamento dos jovens se transformou naqueles anos em que os Beatles se tornaram uma mania mundial.

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Algumas dessas mudanças envolvem o
Beatlemaníacos são insaciáveis, mais ou menos como os fãs de futebol. Nunca enjoam, nunca acham que já viram ou ouviram tudo, nunca deixam de se surpreender e de se emocionar, por menor que seja a novidade em campo –uma gravação remasterizada, um documentário, um show com velhos sucessos (até mesmo de uma honesta banda cover, porque, às vezes, é a única coisa que a casa oferece...).

No curto intervalo entre 1962 e 1969, não foram apenas os garotos de Liverpool que mudaram e perderam o ar de ingenuidade.
Pegue o último dia 21 de junho, por exemplo. Enquanto boa parte do planeta estava na frente da televisão se emocionando com, sei lá, Argentina x Croácia, milhões de outras pessoas (muitas delas acumulando as duas paixões, Beatles e futebol) estavam deixando de lado qualquer outra distração disponível para assistir a um vídeo de 23 minutos em que Paul McCartney aparece cantando e dando um passeio por Liverpool.

Muita gente até agora não entendeu o que, naqueles 23 minutos, foi capaz de comover, às lágrimas, tantas pessoas de gerações e origens diferentes espalhadas ao redor do planeta. Nas duas últimas semanas, esse vídeo da série Carpool Karaoke teve mais 26 milhões de visualizações no YouTube. É como se, nessa Copa da Música, Pelé nunca tivesse sido substituído por um craque mais jovem e continuasse capaz de reproduzir suas jogadas mais geniais no lugar e na hora em que quisesse – para renovado delírio da torcida.

No último domingo, entrou para o catálogo de atrações da Netflix o documentário The Beatles: Eight Days a Week, lançado em 2016 e dirigido por Ron Howard. O diretor inventou a melhor desculpa do mundo – um filme – para passar muitas horas por dia ouvindo as músicas da banda preferida e ainda entrevistar Paul McCartney e Ringo Starr. Além das entrevistas, o documentário destaca, com muitas imagens até então inéditas, os anos em que John, Paul, George e Ringo viajaram o mundo embalados pela beatlemania.

São apenas sete anos, entre a primeira gravação, em 1962, e o show surpresa no telhado da sede da gravadora Apple, no centro de Londres, em 1969 – última aparição pública do grupo. Nesse curto intervalo de tempo, não foram apenas os garotos de Liverpool que mudaram e perderam o ar de ingenuidade das primeiras apresentações. Tudo o que envolve a indústria cultural e o comportamento dos jovens se transformou naqueles anos em que os Beatles se tornaram uma mania mundial.

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Algumas dessas mudanças envolvem o surgimento de um \"star system\" que ainda era incipiente quando os Beatles surgiram. Uma das cenas que chamam atenção no documentário é o momento em que os próprios músicos, no auge da fama, deslocam a bateria de Ringo de um lado para o outro no palco, sem que ninguém apareça para ajudar.

Mas há detalhes ainda mais singelos. Como, por exemplo, a forma como os músicos se curvavam para agradecer os aplausos no início da carreira. Essa e outras solenidades – no figurino, no cabelo, nas atitudes – foram pouco a pouco caindo em desuso, aumentando a distância que separava a nova geração dos músicos que os antecederam. (Inclusive o próprio Elvis, apenas sete anos mais velho do que Paul.)

Nenhuma geração envelheceu tão rápido quanto aquela que já não era tão jovem quando os anos 60 inventaram a juventude.
fonte:gauchazh/clic rbs
Claudia Laetano


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